quarta-feira, 23 de maio de 2018

Orfandade



Não penso, mas escrevo
No relevo do meu sentir,
Mentir, assim me atrevo
E descrevo sem omitir.

A sucessão do desvario
Num desafio inacabado,
Concretizado no desvio
Por um fio equilibrado.

A loucura desse poeta
Torto numa linha reta
Eis-me aqui, realidade!

Nas franjas desse dia
Nas estrofes da poesia
Chora a minha orfandade.

(André Bianc)

Imaginação


Nas tardes de outono
As sombras se alongam,
E douram o pó do sono
Dos pensam que amam.

Passam de mãos dadas
Prendem o amor natural,
Na beira das caminhadas
Do precipício sentimental.

A força motriz do hábito
Que sustenta esse hálito
Da cômoda resignação.

E voltam para as tardes
Dois corações covardes
Amar é só imaginação.

(André Bianc)

sábado, 19 de maio de 2018

Trilha sonora de uma história jamais contada



Nesse mar morto não caberia
A palavra fria na concha calada,
Negação duma outra fantasia
Afogada no coração da amada.

O sentimento dos barcos já idos
E jamais devolvidos ao nosso cais,
Perscrutam nos dias esquecidos
O meu amor na pele dos chacais.

Você, o mar, eu e a floresta
Fundidos ao nada que presta
Onde até o sol ensombrece.

E póstumo, diante de você estou
Esse seu cadáver que hoje sou;
Sepulta-me e depois esquece.

(André Bianc)

O sono justo dos mortos



No amplo espectro amoroso
Da alma enorme e imaginada,
Dorme um cadáver saudoso
Entre o sonho insone e o nada.

Erra com quem pisa nas brasas
Das fogueiras ardentes de gelos,
Escoa minha paixão indesejada
Nas lágrimas dos risos e apelos.

Dum sentimento não envolvido
Num coração de pedra partido;
Ressuscita o perpétuo condenado.

E paro diante de ti, Ó Desventura!
Terei na morte a justa semeadura
Do meu amor jamais plantado.

(André Bianc)

Reflexo do nexo



Sou o que te consome
A mão vil que executa,
Que ignora a tua fome
E teu nome não escuta.

Sou a tua noite insone
O verme que te corrói,
Lua cheia, o Lobisomem
Que teu sonho constrói.

Essa densa metamorfose
Que a sua face destorce
Nesse meu mau conselho.

E virando-te sobre o fim
Vês o que sobrou de mim;
Eu sou o teu espelho.

(André Bianc)

Desilusão de ótica


No olhar humano
Engano que nasce,
O enlace artesiano
Tirano que abrace.

A luz da cegueira
O queira ou não,
Sombra traiçoeira
Na fogueira-razão.

O nu cru que pasme
E muito entusiasme
O nada a perceber.

Ó mundo imaginado
Do amor prospectado
Nos olhos do querer.

(André Bianc)

Declaração


Meu amor é o sincretismo
Dum ecletismo absoluto,
A junção que não refuto
Nesse bom egocentrismo.

Foi nascido no antagonismo
Dos prazeres que desfruto,
Ora quero, mas não labuto;
Dizer eu te amo é o cinismo.

E nesse estado sincrético
O meu coração anorético
É imortal nessa razão.

Fusão das torpes vaidades
Com os desejos e verdades.
Linda a minha declaração!

(André Bianc)

1975


Fui quem eu sou
Um assim, talvez,
Aquilo que desfez
E em mim marcou.

Um nada tão remoto
O sentir corrompido,
Gemido, um devoto
Do pecado permissivo.

Degredo dum morto
Nasce e morre torto
A face que evidencia.

As marcas das sardas
Da alma, só as fardas
Que eu tanto temia.

(André Bianc)

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Narciso



O siso desse metal
Do natural sorriso,
No inciso incidental
Esse mal que preciso.

Num alerta ocasional
No aval que compete,
O Confete casual
É vendaval de Gillette.

E que mal se tem
Eu amar ninguém?
O amor é improviso.

No que transcende
Na mentira indecente.
Muito prazer, Narciso.

(André Bianc)

Naquele outono que eu não vivi


Eu não tenho mais onde pisar
Nesse pesar, o amor defunto,
O conjunto desse tempo passar
E lograr o que nada é fecundo.

Dores e bolores desconjuntam
Os transeuntes vazios e espaços,
Nos desembaraços que adjuntam
O teu coração sob meus passos.

E minha alma feita de ventania
A calma rasa que não deveria
Levantar as noites do teu sono.

E nesse abandono só me restou
Esse lugar onde nunca estou.
Eu piso nas folhas do outono.

(André Bianc)

Não muda nada



Para o mesmo endereço mudei
Retornei assim de onde vim,
Enfim então me descompensei
E decepcionei o ciclo do meu fim.

Crente e contente eu encontrei
E tropecei no mesmo caminho,
No desalinho que então provei
Quebrei a taça do mesmo vinho.

A novidade que é a raça mesmo
E rasa dum passado a esmo
Amansa a vontade de me matar.

Nessa vulgar de raríssima hora
Divagar nesse devagar que devora
O tempo sempre no mesmo lugar.

(André Bianc)

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Cardápio


Teus olhos tição
Paixão em brasa,
Passa no coração
Ação que arrasa.

Teu corpo vulcão
A mão que vacila,
Argila, o fogão
Verão na pupila.

Eu saio da mesa
Ensaio incerteza
O deletério não.

E pego o teu prato
O jejum abstrato
Sirvo-te de solidão.

(André Bianc)

Custo sacrifício



Eu me assusto
Com todo esse custo
Para eu te amar.
Melhor a gratuidade
Da boa ingenuidade
De um deixa rolar.

(André Bianc)

Astronomia de uma paixão



Saio por aí sem pretensão
Na mão nada para servir,
O advir dum inábil coração
A ação de jamais sentir.

O traço mínimo da paixão
Senão um bendito por vir,
Ir abicando da dileta razão
Na contramão que não vivi.

No opaco dia improvável
No seu deserto amorável
Estarei gravado na sua tez.

Acordo sob o fogo de Marte
Pois amar seria a bela arte
De estar sozinho outra vez.

(André Bianc)

Tratado de paz



Estanquei o meu desvio
No rio do nunca mais,
O cais dum morno estio
Dum fino frio que apraz.

O sagaz coração vadio
Enfio os pés pelas mãos,
Na rebelião de um vazio
Não confio nessa paixão.

Desse convívio que mata
Qual a doce bala de prata
Pois, amar é revolução.

Ergo os panos brancos
E aos trancos e barrancos
Pacifico o teu coração.

(André Bianc)

terça-feira, 8 de maio de 2018

Esse não é o lenço da Marília



A história nunca contada
O pensamento não pensado,
Inexisti numa hora marcada
Iludindo ao que foi causado.

Penso num grande amor
E no peso que não resisti,
Ao contemplar na fina flor
O coração que eu não colhi.

Nesse vago e vão canteiro
Nas sombras do espinheiro
Dorme o que nunca viveu.

E no desapego eu desapareço
Não deixo sequer o endereço
Mas fica um lenço de adeus.

(André Bianc)

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Sobriedade


Cavo a nossa verdade
Onde arde a mentira,
A ira no poço do alarde
O cobarde em que mira.

No coração você inteira
A fogueira que principia,
Vira a agonia forasteira
Na beira desse vira-vira.

Nos copos-corpos colados
Calando dramas afogados
No veneno que escorre.

Que insana profundidade!
O raso amor é a realidade
Irrigada nesse porre.

(André Bianc)

Alfazema


E dormi com o teu poema
Alfazema, travesseiro molhado,
Sonhado nesse meu dilema
Pena eu ter agora acordado.

Ancorado nesse azul profundo
Afundo-me nesse triste vagar,
Pois amar é maior que o mundo
No remar oriundo de não estar.

Na solidão que nunca amanhece
Chora, grita e depois esquece
Que um dia você esteve aqui.

E volto para o meu largo sono
Pois a vida é um colo de abandono
E a certeza que eu nunca vivi.

(André Bianc)

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Da janela de um quarto de outono

O peso do passado que pesa
Lesa aquilo ora antes traçado,
Disfarçado na paixão perversa
E inversa ao que foi sonhado.

Da janela entreaberta eu vejo
O desejo do sol em mim se por,
A dor do pensar de um ensejo
E nela prevejo num vago supor.

Meus dias cinzentos, mas felizes
Apesar de todas as cicatrizes
Que da vida eu muito herdei.

Mas hei de viver a nova aurora
E o tudo que me foge agora
Do amor que eu nunca terei.

(André Bianc

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Muito longe do fim


Eu não ando escondido
Aturdido ou desencontrado,
Meu fado de fato foi precedido
E movido por lapso malogrado.

Eu estou falando para você
Ser que reverbera em mim,
Enfim estamos à mercê
De crer num distante fim.

(André Bianc)

Resistência



Querer e quisera
Espera é pouco,
O mouco é fera
Vocifera o louco.

Prece, blasfêmia
A hiena espreita,
E deita à fêmea
Vênia desfeita.

Negando o sentir
No medo de ruir
O que não existe.

Nas expectativas
Vivem as negativas;
Mas o amor resiste.

(André Bianc)

Vazante


Um pingo já basta
Para quem sabe ler,
Interpretação nefasta
Desse seu entender.

Coisa intermitente
Que tanto goteja,
Um dilúvio doente
Duas almas na peleja.

E meu balde cheio
Eu já pelo meio
Tento não afogar.

O que pouco restou
Nosso amor afundou
Sem sequer navegar.

(André Bianc)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Ausência


Um querer distinto
Sinto, mas não sei,
Terei no que minto
E assim eu serei.

O Rei do deletério
Mistério que farei,
Herdei desse império
O amor que inventei.

No crasso compasso
Lasso, lanço meu laço
Mas não alcançarei.

Teus sonhos que passo
No seu tempo e espaço
Onde nunca estarei.

(André Bianc)

Nem deu tempo


Eu sou o antônimo do sinônimo
Daquilo que você sentenciou,
A multiplicidade do heterônimo
E a nulidade que perpetuou.

Nessa vã eternidade senão
Situo-me entre uma fina greta,
E ao lado Deus e o Capeta
Que subornam a minha razão.

E tudo isso é tão impreciso
O objeto-dejeto da discussão,
Entre o mal estar e o omisso
Bate e arde num só coração.

(André Bianc)

sábado, 14 de abril de 2018

Da janela de um trem sem maquinista


Essa saudade masoquista
Maniqueísta-perversidade,
A casuística razão egoísta
No que sinto de verdade.

Os passos largos no passado
Desgraçado e sem bagagem,
A viagem, ora abandonado
Marcou a fogo a paisagem.

Tão céleres nesses muros
As inscrições sem um futuro
A percepção que extravia.

Nos meus olhos, o temporal
Nesse sossego sentimental
Vou irrigando a poesia.

(André Bianc)

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Bom diagnóstico?


E diga-me aonde dói
Então saberei a patologia,
Será que é a sua idolatria
Que em ti nada constrói?

Eu receito boas leituras
Influenciado, deixe de ser,
Sempre questionar e saber
Das falsas promessas de curas.

Sinta os princípios da educação
Dos bons conselhos do coração
E da razão que não mente.

Pois não existe um salvador
Que aplaque a nossa dor
Esta é só da gente.

(André Bianc)

Olvida


É a palavra que nos falta
Nas sombras da solidão,
A dor calada que exalta
Nos confins da razão.

Já vai à madrugada alta
Nosso quarto-alçapão,
O pesadelo sobressalta
Nessa falta de direção.

Só o lamento da chuva
Como um choro de viúva
Que inunda essa estação.

É assim mesmo querida
A esmo e de partida
Que olvida o coração.

(André Bianc)

Sinestesia



Meu amor é transgênico
Uma rara mutação,
Do mel real ao arsênico
A corrosiva efusão.

O débil antagonismo
Eu nunca tenho razão,
Egocentrismo e cinismo
O cataclismo, a erosão.

Narciso, as convivências
As demências e falências
Ao fim estarei coberto.

Da vã e inútil filosofia
Intrínseca na sinestesia
Desse amor tão deserto.

(André Bianc)

terça-feira, 3 de abril de 2018

Eu sei, mas não aprendo.



O amor é um estorvo
Corpo estirado no fluxo
Um regurgitar, o refluxo
Da carniça de um corvo.

Digo isso calmamente
Amo, mas me comovo,
Com a inocência doente
Das pedras que não movo.

Mas eis que de repente
Ela, a maçã e a serpente
E a crença desse povo.

Uma visão deslumbrante
Dum sentimento delirante
E eu errando de novo.

(André Bianc)

sábado, 24 de março de 2018

Só o pó


Tens a áurea nebulosa
Das galáxias tão distantes,
Estrelas, a paixão perigosa
Tudo muda em instantes.

Esse seu desejo bipolar
Por osmose tudo em mim,
O que me faça vomitar
Essa angústia do sem fim.

Hipnotizado nessa magia
Juro, nem mais um dia!
Pela manhã estarei só.

E dentro de mim finado
Esse amor jamais findado
Num coração em pó.

(André Bianc)

segunda-feira, 19 de março de 2018

Posfácio


Não ser compreendido
Talvez baste ser amado,
Num dito sexto sentido
Dum coração imaginado.

Inventando sentimentos
Ressuscito os que já vivi,
Formando os sedimentos
Nessa essência aprendi.

Conviver nessa realidade
As vertigens na sanidade
De aceitar sem explicação.

O que fiz da minha vida
Nessa desatinada corrida
Foi tudo mesmo em vão?

(André Bianc)

Asfixia


Eis aqui um poema romântico!
Exatamente como você me pediu,
Parido de um mal estar semântico
Das tolices que esse amor proferiu.

E nesse carrossel de rasas retóricas
Faz-se um escarcéu de meias vontades,
A luz da dinâmica das volúpias inglórias
Faíscas reluzem das nossas vaidades.

Assim, antes que tarde eu escrevo
Com a minha língua áspera no seu relevo
Esse poema com tamanha contradição.

E virando-te de lado ou de bruços
Com o travesseiro calo o seus soluços
Sufocando o que quer a sua razão.

(André Bianc)

Canção de acordar


Tens uma beleza discreta
No espelho que te vejo,
O reflexo que ora decreta
O amor, singelo desejo.

Uma espécie de redoma
Eu criei ao redor de ti,
E nada em mim detona
O homem que já vivi.

Um sentimento tão puro
Brilho intenso no escuro
Só você que entenderá.

Volto à infância, a goiabeira,
Nuvens, lembranças da ribeira,
Onde aquela criança foi parar?

(André Bianc)

Admirável



A alma e seus exageros
Num raciocínio seleto,
O romântico desespero
Sei, mas não desperto.

No que posso eu agarro
Ignoro as emoções alheias,
Nada antes do cigarro
Que o coração incendeia.

Nessa doentia liquidez
Eu sozinho nessa altivez
Amo a minha companhia.

São as minhas referências
Amo por correspondências
E vivo nessa fantasia.

(Ana Paixão & André Bianc)

A louça suja da convivência



E eu volto para mim e estou
No espelho do egocentrismo,
Sou para você o que não sou
A doença do seu masoquismo.

Dessa necessidade que nutre
As nossas torpes idas e vindas,
Sobrevoa-nos qual um abutre
Essa paixão pútrida e infinda.

Essa patologia da convivência
Camisa-de-força a consequência
Do peso do duro hábito se faz.

Um castelo frio de tormentos
Penso nos primitivos intentos
Melhor que me deixe em paz.

(André Bianc)

Fluidez


Desconfiar não
Acreditar jamais,
A verdade senão
É a mentira capaz.

De bem nos iludir
Ingênuo coração!
A razão assim ruir
Uma nova ilusão.

Amo aos quatro ventos
Asas aos sentimentos
Desse intenso mentir.

E eu digo que te amo
Será um novo engano?
Ah! Deixemos fluir.

(André Bianc)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Esquecido



No limbo me deito
E sonho profundo,
Na angústia afundo
Nesse leito estreito.

A alma em conflito
O corpo frio e quieto,
Sinto mas não fito
Eu só nesse deserto.

Maldita cegueira tátil
O aroma da flor volátil
Impregna o triste dia.

Teria eu morrido?
Estou aqui esquecido
Imerso nessa letargia.

(André Bianc)

Estação



Fostes a fêmea
Amada, efêmera
Tardes outonais.

Secaram as folhas
Das nossas escolhas
Em nossos quintais.

(André Bianc)

Estrelado



E veja o que nos restou
O tempo denso permeado,
Desse amor nele marcado
Da certeza clara que passou.

Todas as horas do sonho ido
A solidão conjunta na tarde,
Fria num futuro corrompido
Numa cama que já não arde.

E dando asas a volúpia louca
Calando a débil voz tão rouca
Desse amor tão sintetizado.

Terenos um orgasmo sideral
Num universo negro e abissal
E veremos tudo estrelado.

(André Bianc)

Amém



O peso da vida nas costas
E uma oculta estranheza,
A alma servida em postas
E salgada sobre a mesa.

Assim somos bem servidos
E devorados com prazer,
Pelos Deuses subvertidos
Onde a crença é obedecer.

E por conta desse desatino
Eles culpam o falso destino
O descalabro de apenas crer!

E engolindo essas verdades
Vomitando nossas vontades
Vamos imaginando viver.

(André Bianc)

Então, meu amigo...



Dois passos para frente
E três passos para trás,
O existir tão premente
Num segundo se desfaz.

Nossos sonhos e anseios
Estão no fundo do poço,
O fim que justifica os meios
Duma corda no pescoço?

São tantas lutas inglórias
Nos espelhos da memória,
A vitória é o nosso fracasso.

E depois o esquecimento
Pois viver é um momento
Traduzido nesse abraço.

(André Bianc)

Medo?



Eu tenho medo mesmo
É do meu doentio passado,
Uma época levada a esmo
Num pesadelo ressuscitado.

Se tenho medo do presente?
Não penso, nem um pouco,
Adio esse sujeito urgente
E o trato como um louco.

E o medo do futuro?
Ah! Nem sequer o conheço!
Desdenho do meu quarto escuro
Acendo a luz e adormeço.

(André Bianc)

Terceira sessão



Em ti a procura
O andrógino ser,
Nada para crer
Senão na loucura.

Passado oculto
Olhar demente,
O brilho doente
Reflete o vulto.

E no frio divã
Essa doença satã
Ímpares mundos.

Somos o reflexo
Do contexto convexo
Dois moribundos.

(André Bianc)

Deixar arder



Um poema glicosado
Minha diabete vai mil,
Gosto do verso azedado
Esquizofrênico e senil.

E por favor, não venha
Com cartinhas de amor,
Porque a vida desdenha
Quem crê nesse horror.

E antes que me conteste
E diga nada que preste
Ouça essa iniquidade:

Lerei as confidências
E as doces indecências
Do grande Marques de Sade.

(André Bianc)

Contradição



Melhor não ter razão
Se tiver, como usa-la?
Uma mera conclusão
A anarquia está na vala.

Uma pueril discussão
Que ladrem sozinhos,
Sem a real dimensão
Dos seus descaminhos.

E por falar no que vejo
Com palavras apedrejo
Toda essa conspiração.

Acho que é invencionice
A minha fala é mesmice
Eu caio em contradição.

(André Bianc)

Pequeno ensaio de um futuro que nunca virá.



Sofro das demências
E das inconsequências
Do meu coração.
Se vieres me pedir algo
Estendo a minha mão
E logo e com todo cinismo
Te solto no abismo
Da minha paixão.
Acho melhor não.
Mas se quiseres mesmo
Ofereço-lhe o esmo
Da minha ingratidão.
Pense direito
E com todo o efeito
Dessa nossa ilusão.

(André Bianc)

Transmutação



Transpiro seus ares inocentes
Nessa manhã, não vejo mais,
Dos teus olhos tão descrentes
A nossa realidade senão fugaz.

Velhos sonhos?  Que vida ilusória!
Miragens, duas dunas no deserto,
Numa trilha apagada e metafórica
E sem nenhum coração por perto.

Por favor, não me pergunte nada
Não sei onde dará essa caminhada
Vivemos numa insanidade atroz.

E mirando o horizonte em frente
Ao final ainda seremos gente,
Ou um canibal do nosso eu algoz?

(André Biac)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Falácia na primeira pessoa


Eu sou mesmo aos tantos
Vis acertos e bons enganos,
Atrás das alegrias os prantos
Acima e debaixo dos panos.

Sou talvez popular e discreto
De uma incerta combinação,
Tudo que quero vira deserto
Na palma fria da minha mão.

E disfarçado de mim mesmo
Vou vivendo assim a esmo
Nessa metáfora que escolhi.

E nesse universo paralelo
Não sou a pena, nem o martelo
E sequer o poema que escrevi.

(André Bianc)

Pequeno engano

Paixão infundada
A retórica morta,
Da alma cansada
Você bate a porta.

Perspectivas-ilusão
O tempo que esmera,
Mofos no coração
Quem sabe, já era?

Entenda, tudo passa
Dos livros às traças
Essa história findou.

Amanhã, outro dia...
Talvez a minha poesia
Foi o que te enganou.

(André Bianc)

Engenho

Meu amor é o sofisma
Artimanha que se fez,
Num acaso que abisma
Em toda falsa sensatez.

Embuste, ardil, a cilada!
Uma trama endrômina,
A paixão só encenada
De uma autora anônima.

E nessa doce aspereza
Às cegas e com destreza
É um poço de cavilação.

Mas o tempo é engenho
Tritura tudo que tenho
Dentro do meu coração.

(André Bianc)

Tarja preta


Só contraindicações
Ingerir?  Nem o casual,
Princípio ativo do mal
Detona os corações.

Essa coisa não tem bula
Nesse frasco temerário,
Tentação é a nossa gula
Desse intento ordinário.

Mas pode ser inevitável
Essa poção tão “amigável”
Ao fim nos causará dor.

Depois é abraçar o tédio
Não tem santo e remédio
Estou falando do amor.



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Não é nada disso...


Espero aquilo que nunca vem
E assim me deito na fantasia,
Da crença de que nalgum dia
A vida seja como me convém.

Ter no pensamento o conforto
E a reconciliação com meus “eus”,
Traçando o rumo reto no torto
Dos amores que não são meus.

E um passo a mais na cegueira
A proteção débil duma trincheira
Num acaso raso de rara exceção.

Assim mais um ciclo que encerra
Sou um refugiado dessa guerra
Travada com o meu coração.

(André Bianc)

Ditame

O amor é um ditame
Compensa essa ilusão?
Aceite e não reclame
Desatinos do coração.

O clássico erro do prazer
Carnal, o certo engano,
Até a ferrugem corroer
O que penso que amo.

Na pele como tatuagens
Dessas frustradas viagens,
Os indeléveis extravios.

E se me encontrar um dia
Não sou eu, é a sua miopia,
Somos velas sem pavios.

(André Bianc)

Verbo ser?


Sou mesmo um deficitário
Falta-me sentido em tudo,
Desde o pensar arbitrário
Até no meu diálogo mudo.

Tenho nessa oca escassez
O sentimento caudaloso,
A falsa humildade-altivez
E o ódio-amor esperançoso.

E assim sem transparecer
Num caminho transcender
Perco-me, mas sempre vou.

Num voo cego nos poemas
Pesado-leve e a duras penas
De quem de fato eu sou.

(André Bianc)


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Pequeno Vício


E nada mais muito me basta
Tenho o chorume do mundo,
Eu sou mesmo esse oriundo
Dos lixos dessa ideia vasta.

Pronto, agora apenas arquive
Tudo numa velha pasta,
E quanto às pedras, esquive,
Nesse declive que tudo arrasta.

Por favor, insisto, agora basta!
A vida é uma tentativa gasta,
O melhor mesmo é abstrair.

E tragando essa densa fumaça
Vamos viciando nessa desgraça
Da droga alucinógena do por vir. 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Resumo Vazio

E resumindo é só isso
Um ponto cego no final,
Com o negrito no omisso
Entre esse bem e o mal.

Não falemos mais disso
Por favor, uma pá de cal,
Sobre esse amor narciso
E muitos eteceteras e tal.

O sentimento indulgente
Vagarosamente urgente
Vive diante dessa ilusão.

Num desconexo sonho
De um coração bisonho,
Arrítmico e em profusão.


(André Bianc)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Inconclusivo


Invejo a minha ignorância
Dizer saber é ostentação?
Pensar seria uma ganância
E entender é pretensão?

Não sei, é um bom começo
Mas padeço nessa reflexão:
Se mais degraus eu desço
Mais rasa fica a cognição.

Refletir é ser um erudito?
Conjecturar tudo que foi dito,
Um desfile esnobe e em vão.

Desisto, eu saio e abstraio
Esse meu pensamento vário
Sem chegar a uma conclusão.


(André Bianc)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Lição de casa


O que eu desaprendi
Foi o que nunca soube,
Mas confesso que vivi
O que jamais me coube.

Na vida sou um intruso
Nesta festa que estou,
E entender é ser confuso
Ao saber que nada sou.

E nessa vã introspecção
Sem nenhuma convicção
Nada tenho a pronunciar.

Pelos cantos vivo calado
Sobriamente embriagado
Num catastrófico pensar.

(André Bianc)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Diva

Puxo o cobertor
Nascem dois sóis,
Auréolas a expor
Vívidos arrebóis.

E mais um pouco
Relevos incidentais,
A negra teia voraz
Faz-me um louco.

A imagem escultural
Cristaliza o ato carnal
Na etérea sensação.

A lembrança furtiva
Memórias de uma Diva
Poeiras no coração.


(André Bianc)

Sombras Poéticas

Eu sou o anjo oculto que empreita
Com a missão maldita da foice invisível,
O alvo caído da trajetória tangível
Das paixões nuas que a hora deleita.

Eu sou a sombra da capa preta, sim
Dos sombrios vales úmidos suicidas,
Aquele cujas maldades foram paridas
E despejadas todas no seu triste fim...

E nesse pêsame refletem ardentes
Meus olhos de esfinges dementes
Um delírio no exato ocaso infernal.

E pode esperar minha visita um dia
Pegar-te-ei na curva de uma noite fria
Logo após o seu poético funeral.


(André Bianc)

Exéquias

Vinde a mim todos que me odeiam
Velam-me a imagem de um anticristo,
Os falsos e glutões todos aqui ceiam
Do meu resto inexorável e proscrito.

Sirva o meu gélido sangue em taças
Nutrem-se dos primitivos instintos,
Nas bocas os guardanapos com traças
Juntos aos porcos imundos e famintos.

Ao fim do fastio banquete só a carcaça
Dessa festa regada de orgias e desgraça
Minha vida poética foi-se por inteira.

E ao som de longos e nojentos arrotos
Foram-se os meus parcos traços rotos
Mas ainda sorri a minha cínica caveira.


(André Bianc)

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Para você, Beatriz.


Languida alma anímica
O teu beijo na vidraça,
Uma cena, uma mímica
Acena, o choro embaça.

Teu coração esvoaçado
Num translúcido desejo,
A utopia vaga que prevejo
Nosso amor desenganado.

E teus passos tão confusos
Sobre os meus intrusos
Duas sombras amarguradas.

E cada vez mais distantes
Nossos destinos vacilantes
Quiçá em outras alvoradas.


(André Bianc)

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Fanatismo?

Os anos de convivência
Demência e ostracismo,
Cinismo é a confidência
No íntimo do altruísmo.

A validação do fracasso
Que fiasco corações!
As emoções no bagaço
Não passaram de projeções.

Nessa triste e dura falência
Não há sequer a turbulência
Nesse voo precipitado.

Deito no meu comodismo
Todo amor é fanatismo?
Melhor eu virar para o lado.


(André Bianc)

Juntos

Somos um hiato
O interstício vão,
A pausa, senão
De um novo ato.

Ter no intervalo
Pouco que resta,
O amor que calo
Ao fim da festa.

Depois me mato
Eu mesmo ingrato
É pura imaginação.

E nós dois juntos
Sentimentos defuntos
Em um só coração.


(André Bianc)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

História para dormir

E tudo será o estandarte
Inconsciente do presente,
A dicotomia sem alarde
Do sentimento urgente.

O vão vacilo da escolha
A nata azeda do decidir,
Essa vontade de sumir
Pra algo que nos acolha.

Nesse diagnóstico-coração
O peso da agnóstica razão
Um sopro raquítico talvez.

E sem a menor pretensão
Penso que amo, porque não?
Leia para mim: era uma vez...


(André Bianc)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Incomparável


Acolha-me em seus braços
Além dos outros mundos,
Relativos tempos e espaços
Que abstraem os segundos.

Da sua voz altiva e em chama
O eco algoz das profundezas,
Reflete a sua silhueta profana
Em noites a fio de sutilezas.

E debaixo da etérea camisola
Tens a áurea sutil que consola
O meu torpe e primitivo intento.

E todas as gotas que provarei
Cristalizadas na alma as terei
Um incomparável sentimento.


(André Bianc)

Pleonasmo

E distorci a realidade
Eu sonhei por demais,
Meu amor é vaidade
Uma conquista a mais.

Estranha a natureza
Minha parte nefasta,
Amo com rara pureza
Mas a cama é que basta.

E quando a tona vem
O engano que detém
Dessa minha invenção.

Perco o entusiasmo
O amor é pleonasmo
De uma boa intenção?


(André Bianc)

Hidro Desejo Amor


A difusa imagem
O calor na vidraça
O vapor embaça
Seu corpo-viagem.

Gotejando desejo
Úmida por inteiro
Chove o chuveiro
Tudo que não vejo.

Essa Maldita toalha
Cobre o que valha
Meu intento de ser.

O creme que desliza,
O teu corpo sinaliza
O meu bem querer.


(André Bianc)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Laborioso

Bem melhor do que falar
Palavra escrita é tatuagem,
Precisa de pouca coragem
Basta deixa-la transbordar.

E escrevo essas bobagens
Melhor que tenho de mim
Os personagens e viagens
A desconexão do sem fim.

Dessa retórica contumaz
E a boa contradição capaz
De muito mesmo ironizar.

Aquele bom antagonismo
Necessário e velado cinismo
Um orgasmo ao pensar.


(André Bianc)

Receita

E que por essa hora
Fique apenas assim...
Esse gosto de amora
O beijo do Querubim.

E sem a menor demora
Colha todos os jasmins,
Do nosso “nove vez fora”
Eu e você, até quem fim!

As manchas no avental
Desse amor em madrigal
E tudo que nele deleita.

Uma dose generosa
Da cama prazerosa
Nossa melhor receita.


(André Bianc)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Fingimento

Eu sou raso mesmo
Medo de me afogar
Não desfilo a esmo
O que posso guardar.

Pérolas de sabedorias
Ah! O velho Buk falou...
Das necessidades vazias
Que alguém vomitou.

E fingindo ser poeta
Meu poema é a seta
Que tento não ferir.

A sua inveja velada
Aqui somos um nada
Mas podemos fingir.


(André Bianc)

Adagio XXXVIII

Adagio XXXVII

No fim das jornadas
Sangram as vidas
Irreais e sincopadas
Expostas feridas.

Os frutos no chão
Podres ao relento
Apenas o intento
O bagaço nas mãos.

Servirão de adubo
Restos que cubro
O que não sobrou.

Da etérea primavera
A flor que exaspera
O infinito que sou.


(André Bianc)

Propósito?

Pensar é a nudez
Atrás dos biombos,
Existir é um talvez
Viver aos tombos.

Ser é só estupidez
Estar é o bem real,
Declinar da altivez
Na buscar o ideal.

Nas vãs tratativas
Das vidas relativas
Apenas frustrações.

O ensaio patético
Do momento poético
Sem proposições.


(André Bianc)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Pensar

Bebo o que não há
O copo meio vazio
Ou meio cheio está.
Enfim, é só desvio.

Num labirinto de ar
Eu só e tão sombrio,
Geométrico linear
A vida por um fio.

A hora excêntrica...
Uma dor egocêntrica
Como explicar?

Algo virulento
Quase não aguento
Sofrer é pensar.


(André Bianc)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Adagio 21

Ferrugem secular
A garça pensativa
Os olhos desenhar
Âncoras inativas.

Maré fria vazante
Digitais na areia
A noite ululante
O canto da sereia.

A última lanterna
O coração externa
Luz na escuridão.

Por hora o cansaço
O fardo do fracasso
E o prazer da solidão.


(André Bianc)

Falta

Uma ideia casta
Jogada na gaveta
A palavra gasta
Ferida pela caneta.

Inútil inspiração
Escrevo pra quem?
Dolorida ação
Mas ela não vem.

Difusa imagem
Aquela viagem
Terra estrangeira.

Falta-me direção
O verso na mão
E a poesia inteira.


(André Bianc)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Acaso?


Sacrossanto sincronismo
Cuidado, nada é por acaso,
Caso sério, antagonismo
O seu tempo, o meu atraso.

E esse caso se acaso boiar
No fluido cósmico universal?
Um sentimento bilateral
Há outra forma de sonhar?

Sim, viemos na mesma era
Nessa rarefeita atmosfera,
Corpos binários ao vento.

Retrocederei o calendário.
Você um gracioso relicário,
Eu deslocado nesse evento.


(André Bianc)

Louco?


Um louco calado
Autocombustão
Não conectado
Incêndio da razão.

Um outro pensar
Numa unipessoa
Querer dominar
O que destoa?

Seria o sistema
Ou um teorema
Inexplicável ser?

Social destrutivo
O olhar furtivo
Que teima não ver?


(André Bianc)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Fantasiosamente...

Da alma, o historiador,
A catastrófica memória
Nosso tempo demolidor
Ficção a nossa retórica.

Foi ascensão espantosa
As Juras veementes
Entre rosas e serpentes
As delícias venenosas.

Minha sombra ainda figura
E transmutam tessituras,
No seu corpo-geografia.

E eu sempre desmedido
No teu gozo suprimido
Nossa paixão é fantasia.


(André Bianc) 

domingo, 24 de setembro de 2017

Não foi nada


As pedras floridas
No céu penduradas
Estrelas sofridas
As horas queimadas.

Uma dor reluzente
Nos olhos da amada
A viagem urgente
Daqui para o nada.

E a inexata certeza
Servida fria na mesa
Pratos de solidão.

Viver é não servir
Ao que nos resta sentir.
No mais tudo é vão.


(André Bianc)

sábado, 23 de setembro de 2017

Sentença

Profunda incisão
A alma exposta
Vísceras nas mãos
Daquele que gosta.

Querer é sofrer
Num eterno perdão
E sem nada saber
Do amor em questão.

Paixão é sarampo
Nem mais me espanto
Com essa doença.

E você tome tino
De asas ao destino
Ele tem a sentença.


(André Bianc)

Quer tentar a sorte?

Não sou tudo isso
Mas serei muito mais
As sombras do omisso
De amores virais.

Estou pelo caminho
Disfarçado de tempo
Dissimulado argumento
Eu viajo sozinho.

Se quiser vir comigo
Ofereço doce perigo
Da incerta paixão.

Sei que anda perdida
A bússola enlouquecida
Do seu coração.


(André Bianc)

Quem nunca?

Tento recompor agora
O meu amor retumbante
Caótico, febril , delirante,
E dito da boca pra fora.

Eu sei o que te desarvora:
É o meu querer demente.
Você fazendo-se de crente
As necessidades do agora.

Após o desejo consumado
Sentimento emaranhado
E mergulhado na solidão.

Restou o teu cigarro acesso
Minhas as roupas do avesso
E um vazio imenso no coração.


(André Bianc)

Voando


A palavra muda
Fotografia cega.
A poesia absurda
Que tudo carrega.

Sentimentos vãos
Desejo impossível,
Escorregou das mãos
O amor invisível.

Mas nada basta
O sonho que arrasta
Essa triste melodia.

Pudera eu querer
Cantar, voar e viver,
Qual uma cotovia.


(André Bianc)

Historinha Rivotril. Ops, ifantil

Eu também gosto tanto
Das histórias de dragões
Daquela que um tal santo
Assassinou os sete anões.

E da Rapunzel de avental
Comeu a maça envenenada
Furtou o sapatinho de cristal
Do Saci em disparada.

E em meio de tanta confusão
O príncipe sobe no pé do feijão
Deu de cara com o Ali Babá.

E Dom Quixote dos Cervantes
Tomou as pingas das estantes
E desmaiou no velho sofá.


(André Bianc)