segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cenóbio das Trevas (Parte II)

(A amiga Paola Martins)

Ofereça minha alma impura, também
Aos senhores desta lodosa escuridão,
Pois em vida, nunca fui cúmplice do bem
Só esses tempos negros nos resgatarão.

E embarcaremos na carruagem infernal
Rumo ao sofrimento e sem itinerário,
Pois nesta hora inexorável e fatal
Teremos apenas o nosso destino arbitrário.

E caminharemos amiga, juntos tateando
Mendigando por pântanos trevosos,
Um pouco da longínqua luz, suplicando
Um fardo mais leve dos nossos remorsos.

E diante deste tétrico teatro, no último ato
Brotarão nossos cadáveres naquele jardim,
Onde reinam absolutos abutres e ratos
Até que nossos pecados sejam perdoados, enfim.

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