(A amiga Paola Martins)
Ofereça minha alma impura, também
Aos senhores desta lodosa escuridão,
Pois em vida, nunca fui cúmplice do bem
Só esses tempos negros nos resgatarão.
E embarcaremos na carruagem infernal
Rumo ao sofrimento e sem itinerário,
Pois nesta hora inexorável e fatal
Teremos apenas o nosso destino arbitrário.
E caminharemos amiga, juntos tateando
Mendigando por pântanos trevosos,
Um pouco da longínqua luz, suplicando
Um fardo mais leve dos nossos remorsos.
E diante deste tétrico teatro, no último ato
Brotarão nossos cadáveres naquele jardim,
Onde reinam absolutos abutres e ratos
Até que nossos pecados sejam perdoados, enfim.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
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